Uma idosa de 62 anos foi resgatada de uma situação de trabalho análogo à escravidão após passar 55 anos prestando serviços domésticos para a mesma família em um condomínio de alto padrão na Região Metropolitana de Fortaleza. A operação foi realizada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal.
De acordo com a fiscalização, a mulher começou a trabalhar ainda na infância, em 1971, e nunca recebeu salário pelos serviços prestados. Durante décadas, também não teve carteira assinada, férias, 13º salário, FGTS ou qualquer outro direito trabalhista. Segundo os auditores, ela vivia em uma relação de completa dependência da família empregadora, sem acesso à autonomia financeira e privada de oportunidades de estudo e desenvolvimento pessoal.
As investigações apontam que, em 2014, a trabalhadora foi levada para outro imóvel da mesma família, onde passou a cuidar da nova geração, acumulando as tarefas domésticas com os cuidados de duas crianças. Apesar de trabalhar há mais de cinco décadas, ela sobrevivia apenas com cerca de R$ 600 mensais recebidos por meio do Bolsa Família, permanecendo inscrita no Cadastro Único.
Após o resgate, a vítima foi encaminhada para atendimento da rede de proteção social. Os auditores fiscais lavraram autos de infração e adotaram as medidas para garantir o pagamento das verbas trabalhistas devidas. O caso também será apurado nas esferas trabalhista e criminal. A identidade da vítima e dos empregadores não foi divulgada.
