Mulheres que enfrentam situações de violência ou que são responsáveis pelo cuidado de familiares com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras podem contar com teleatendimento gratuito em saúde mental pelo SUS. A iniciativa do Ministério da Saúde está disponível em todo o país e busca facilitar o acesso ao cuidado para quem encontra dificuldades para comparecer presencialmente a uma unidade de saúde.
O serviço integra o programa Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres, que prevê até 100 mil teleatendimentos por mês. Além das mulheres em situação de violência, podem utilizar o serviço familiares que desempenham funções de cuidado, como mães, tias, avós e irmãs de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras.
No Ceará, a modalidade remota representa uma alternativa para ampliar o acesso à assistência em saúde mental. O atendimento pode funcionar como porta de entrada para o acompanhamento e, quando necessário, o caso será articulado com os serviços disponíveis na rede de saúde do município e do estado.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a proposta é iniciar o acolhimento de forma remota e, posteriormente, integrar o acompanhamento aos serviços locais. Onde ainda não houver uma rede disponível, o atendimento continuará sendo realizado pelo Ministério da Saúde.
Como solicitar o atendimento
O acesso começa pelo aplicativo Meu SUS Digital, utilizando a conta gov.br. No aplicativo, a usuária deve acessar a opção “Miniapps” e selecionar “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
Depois, ela será direcionada para a plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde deverá preencher o cadastro e informar se está ou esteve em situação de violência ou se exerce o papel de cuidadora de alguém com deficiência, transtorno do neurodesenvolvimento ou doença rara.
Após o cadastro, a equipe responsável fará contato em até 24 horas para que a usuária escolha a data e o horário da consulta. O sistema também envia lembretes e, no dia marcado, disponibiliza o link para a realização do atendimento.
Atendimento para mulheres vítimas de violência
Nos casos relacionados à violência, a primeira consulta busca identificar possíveis situações de risco, a existência de uma rede de apoio e as principais necessidades da paciente. Cada mulher poderá realizar até 10 sessões, com possibilidade de iniciar um novo ciclo de acompanhamento quando houver necessidade.
Depois desse período, a paciente poderá ser encaminhada para continuar o tratamento em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou em outro serviço da rede de saúde. O CAPS também pode ser procurado diretamente.
Os atendimentos são realizados de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. A equipe é formada por psicólogas mulheres capacitadas pelo Ministério da Saúde para oferecer escuta qualificada no ambiente virtual e reconhecer possíveis situações de risco.
Em casos de risco imediato, a orientação é procurar os serviços de emergência adequados, como o SAMU, pelo número 192, ou a Polícia Militar, pelo 190. Em situações graves que não demandem intervenção emergencial naquele momento, a equipe responsável poderá articular o encaminhamento da paciente aos serviços de saúde disponíveis em seu território.
