A Casa da Mulher Cearense, localizada em Juazeiro do Norte, é a única unidade da região do Cariri voltada para o enfrentamento à violência de gênero e o acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade. O espaço, segundo a psicanalista e psicóloga clínica Macedônia Félix, é “primeiro, de sobrevivência para todas as mulheres do Cariri, e também um lugar para recomeçar”.
Atendendo mulheres a partir de 18 anos, de acordo com a Lei Maria da Penha, a instituição recebe demandas de vítimas de todas as 29 cidades do Cariri. O funcionamento é ininterrupto, 24 horas por dia, oferecendo escuta, orientação e encaminhamentos. No mesmo espaço, funcionam a Delegacia da Mulher, o Juizado, o Ministério Público, a Defensoria Pública, além de psicólogas, equipe de apoio e o Grupo de Apoio Especializado da Polícia Militar (GAV).
Entre os principais desafios, Macedônia destaca a naturalização da violência. “Quando o homem entende que pode ter esse comportamento de chegar até o ponto de matar, porque ele faz isso? Como é que ele aprendeu que ser homem tem a ver com violentar?”, questiona, ressaltando a necessidade de transformação social e educacional.
No mês de Agosto Lilás, dedicado à conscientização e combate à violência contra a mulher, a Casa da Mulher intensificou as atividades. A programação inclui seminários, palestras, rodas de conversa, ações em escolas e comunidades, além de campanhas educativas junto à imprensa. “Esse é um mês para a gente pensar por que a violência ainda acontece e o que podemos fazer enquanto sociedade caririense para interromper essa normalização”, afirmou Macedônia.
Ela também destacou a preparação para os 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, em novembro, quando haverá o encontro das técnicas da rede de proteção do Cariri. Por fim, reforçou a importância da denúncia e da busca por apoio: “As mulheres precisam saber que não estão sozinhas. Agora existe uma política pública que é um direito conquistado por todas nós, para nos acolher, nos informar e construir um outro futuro”.
