No Solo da Chapada do Araripe, está a comunidade Minguiriba, localizada entre os municípios de Crato e Santana do Cariri. “Foi formada pelos primeiros romeiros que vieram a Juazeiro do Norte, em busca da ajuda do Padre Cícero”, explica a Professora Eugenia Duarte, que dedicou o Mestrado e o Doutorado para buscar a preservação da história desse povoado, que começa a formação no final do século XIX.
Eugenia chega à comunidade em meados de 2013, e o fascínio pelos relatos que ouvia resultou na construção de um documentário, do livro “Minguiriba, Memória e Identidade”, e na Casa de Saberes da Minguiriba, inaugurada em setembro deste ano. Durante a pesquisa, a professora percebeu que muitos da região não tinham o conhecimento sobre a escrita e a leitura, e desde então, o espaço da Casa de Saberes, tem sido um local de fortalecimento para educação e preservação da história local.
Segundo a professora, o espaço é desassistido pelo poder público, e que por está entre duas cidades, a luta por acesso a benefícios básicos se torna ainda mais complexa, “uma parte pertence a Crato, e a outra pertence a Santana, mas os dois municípios não se sentem responsáveis…é uma comunidade que não tem escola, não tem posto de saúde… e na área que compreende o Crato, são mais de 300 moradores”.
Indo na contramão desta realidade, a comunidade tem usado o espaço da Casa de Saberes da Minguiriba para aprender sobre cinema e gramática. Com apoio da Universidade Regional do Cariri (URCA), o evento que teve início em 16 de novembro, e segue até 22 de dezembro, tem levado aos moradores o ensino do português e da língua inglesa. Além disso, uma parceria com o Senac tem desenvolvido um Cantinho da Leitura e o Ateliê Brilhante, que recebe oficinas nesse sábado (30).
A programação completa das atividades, bem como o dia a dia do projeto, está disponível no perfil do Instagram: @casa_de_saberes_da_minguiriba.