O jornalista e escritor cratense Xico Sá abriu, na noite desta segunda-feira (8), a nona Semana de Jornalismo do Cariri, realizada na Universidade Federal do Cariri (UFCA), em Juazeiro do Norte. O evento, que celebra os 15 anos do curso de Jornalismo, segue até sexta-feira (12) com programação gratuita e aberta ao público.
Antes da palestra, em coletiva de imprensa, Xico falou sobre o sentimento de retornar à região. “Esse retorno agora é especial porque eu vim falar com vocês, eu vim falar com jornalistas daqui, com estudantes, pessoas que, como eu, tiveram essa ideia maluca na cabeça de fazer jornalismo”, disse. Ele lembrou que, se o curso já existisse na época em que decidiu pela profissão, não teria deixado o Cariri. “Eu não teria ido embora. Teria feito aqui, sem a agonia de pegar ônibus, de voltar de carona, aquela miséria total dos anos 1980 no Cariri.”
Questionado sobre a valorização da identidade local na profissão, o jornalista defendeu que sotaque e repertório cultural são diferenciais. “A ideia dos grandes meios sempre foi padronizar, tirar a sua marca, roubar o lugar de onde você veio. Mas acho que ser um jornalista do Cariri, levar o assunto Cariri, a forma de falar e o conhecimento da história da região é uma vantagem. Isso nos diferencia e nos torna profissionais com estilo próprio.”
Na mesma ocasião, Xico comentou a relação entre jornalismo e literatura. “Sempre vivi esse conflito: sou mais jornalista ou mais escritor? A verdade é que a redação me deu o sustento, mas a literatura é fundamental. No jornalismo, 50% do que penso vem do Cariri; na literatura, é 100%. O meu assunto, a forma de escrever, é toda daqui.”
Durante a palestra, além da temática central, Xico falou sobre o que pauta o jornalismo na atualidade e fez críticas para o cenário político nacional. “O Congresso, que é o pior da nossa história, virou o sindicato dos milionários, uma entidade de classe que representa os interesses da Faria Lima”, disparou. Ele também alertou para o avanço da extrema direita no Brasil e no mundo. “Ela segue a mesma cartilha, pensa e atua igual no sertão do Ceará, na Hungria ou nos Estados Unidos”, afirmou, citando a disseminação de fake news e a tentativa de enfraquecimento da imprensa e da cultura.
O jornalista reforçou também a relevância da profissão diante desse contexto. “Na pandemia, foi o jornalismo que trouxe os números reais e tem sido o jornalismo a evitar que prevaleçam os delírios, as fake news”, destacou.
A Semana de Jornalismo da UFCA segue até o dia 12 de setembro, reunindo palestras, oficinas, rodas de conversa e minicursos, com detalhes disponíveis no perfil @jornalismoufca.
