Elmano de Freitas foi reeleito governador do Ceará neste domingo (4), no primeiro turno, e garantiu a permanência do Partido dos Trabalhadores no comando do Executivo estadual por mais quatro anos. Com 53,19% dos votos válidos, o petista superou Ciro Gomes (PSDB), que terminou com 46,22%, em uma disputa concentrada entre os dois principais candidatos.
A vitória representa a continuidade do grupo político que governa o Ceará desde 2015, e a derrota da oposição, dessa vez liderada por Ciro. O ex-governador voltou a disputar o Palácio da Abolição mais de três décadas depois de ter comandado o Estado e reuniu em torno de sua candidatura uma ampla frente de oposição, com partidos de direita e centro-direita e o apoio do PL, ligado ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O resultado mantém no governo estadual o grupo político liderado pelo senador e ex-governador Camilo Santana (PT). Camilo governou o Ceará por dois mandatos, entre 2015 e 2022, e deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Na eleição daquele ano, Elmano foi eleito governador, sucedendo ao grupo político que havia comandado o estado.
A campanha do atual governador teve como principais cabos eleitorais Camilo Santana e o presidente Lula (PT). A aliança entre os dois políticos deu à candidatura uma forte presença tanto no cenário estadual quanto nacional. Camilo participou diretamente da campanha e atuou na mobilização das lideranças políticas que compõem a base governista.
Depois de oito anos no governo estadual, da eleição para o Senado e da passagem pelo Ministério da Educação, Camilo volta a vencer uma eleição estadual com o grupo político que lidera no comando do Palácio da Abolição.
O apoio de Lula também foi utilizado como uma das principais forças eleitorais da campanha. A ligação entre o presidente, Camilo e Elmano ajudou a consolidar o discurso de continuidade de um projeto político que tem no PT sua principal referência no Executivo estadual.
A base governista contou ainda com nomes importantes da política cearense. Entre os aliados estavam o senador Cid Gomes (PSB), reeleito em 2026, a deputada federal Luizianne Lins (Rede), eleita para o Senado, e o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT).
O resultado também representa a derrota do grupo político liderado por Ciro nas três principais disputas estaduais. Além da derrota para Elmano, os dois candidatos ao Senado apoiados por sua aliança, Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), também não conseguiram uma das duas vagas destinadas ao Ceará. As cadeiras ficaram com Cid Gomes (PSB), reeleito para mais oito anos de mandato, e Luizianne Lins (Rede), segundo a totalização da Justiça Eleitoral.
Ciro buscou construir uma frente ampla para retirar o PT do governo estadual. Além do PSDB, sua candidatura contou com partidos como União Brasil, PL, PP, DC e Avante, formando uma das principais alianças de oposição ao grupo governista. A presença do PL aproximou a campanha de Ciro do campo político da direita e extrema-direita no estado, em uma composição que reuniu forças que historicamente estiveram em campos distintos da política cearense.
A eleição de 2026 também representa mais um revés para a oposição cearense nas principais disputas recentes. O grupo governista venceu a eleição estadual de 2022, manteve a Prefeitura de Fortaleza em 2024 e agora derrota novamente a oposição na disputa pelo governo do Ceará em 2026.
A vitória de Elmano também consolida a presença do PT no Executivo cearense. O partido chegou ao governo com Camilo Santana em 2015, permaneceu no grupo governista durante a transição de 2022 e elegeu Elmano naquele ano. Com a reeleição, o grupo permanecerá no comando do Estado até 2030.
