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Lendo: Nordeste concentra alto índice de partos por violência sexual em meninas menores de 14 anos
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No Cariri Tem > Blog > Região > Nordeste concentra alto índice de partos por violência sexual em meninas menores de 14 anos
Região

Nordeste concentra alto índice de partos por violência sexual em meninas menores de 14 anos

No Cariri Tem
Última atualização 04/12/2024 09:38
Por No Cariri Tem
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4 Min Leitura
Foto: Freepick
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Uma pesquisa realizada pelo Centro Internacional de Equidade em Saúde, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio da organização Umane, revelou números alarmantes sobre a violência sexual contra meninas no Brasil, com destaque para disparidades regionais que expõem a vulnerabilidade no Nordeste.

De acordo com o levantamento, realizado com base em mais de 1 milhão de partos registrados entre 2020 e 2022 no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), o Brasil registra, em média, 11.607 partos anuais resultantes de estupro de vulnerável, crime definido pela Lei nº 12.015/2009, que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão.

No Nordeste, um dos desafios é o atraso no início do pré-natal. O estudo constatou que quase 40% das meninas com menos de 14 anos iniciam o acompanhamento gestacional após o primeiro trimestre, o que é considerado inadequado para reduzir riscos à saúde da mãe e do bebê. Esse percentual sobe para quase metade no Norte do país, enquanto no Sudeste a taxa é de 33%.

A pesquisa também destacou que meninas indígenas, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, estão mais sujeitas ao atraso no pré-natal: 49% começam o acompanhamento tardio, contra 34% das meninas brancas. O nível de escolaridade também aparece como fator determinante: entre aquelas com menos de quatro anos de estudo, 49% não iniciam o pré-natal no período ideal.

O Nordeste, por ser uma região marcada por desigualdades sociais e econômicas, enfrenta desafios adicionais, como falta de acesso a serviços de saúde de qualidade e alta incidência de vulnerabilidade social, que dificultam o atendimento integral às vítimas.

Consequências e contexto jurídico
Além dos riscos de saúde, o atraso no início do pré-natal em meninas menores de 14 anos expõe a gravidade da violência sexual. A pesquisa reforça o impacto desse crime, já que uma em cada sete adolescentes inicia o pré-natal após 22 semanas de gestação, dado que reacende o debate sobre projetos de lei que buscam limitar o acesso ao aborto legal para vítimas de estupro até a 22ª semana de gestação.

Conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), os casos de estupro de vulnerável estão em crescimento. Em 2022, foram registrados 48.921 casos, um aumento significativo em relação a 2020 (35.644 casos).

A autora do estudo, Luiza Eunice Sá da Silva, destacou que os dados não apenas revelam a vulnerabilidade dos bebês, mas também refletem a falta de opções de saúde reprodutiva para as meninas vítimas de violência sexual. Entre 2015 e 2019, meninas de 10 a 14 anos foram as principais vítimas de estupro.

Medidas urgentes
Os especialistas reforçam a necessidade de políticas públicas mais robustas para enfrentar essa realidade. Isso inclui o fortalecimento da rede de saúde, ampliação do acesso ao pré-natal e ações que promovam a educação e a proteção de meninas e adolescentes, especialmente nas regiões mais vulneráveis, como o Nordeste.

 

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TAGs: GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA, VIOLÊNCIA SEXUAL
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