O Brasil alcançou um marco histórico na luta contra os cânceres do sangue com os resultados preliminares da terapia CAR-T Cell desenvolvida nacionalmente. Apresentados nessa quarta-feira (10), em São Paulo, os dados apontam eficácia de 87,5% em pacientes com cânceres hematológicos, especialmente linfoma, demonstrando redução significativa ou desaparecimento completo dos tumores.
O anúncio foi acompanhado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que destacou o potencial transformador da tecnologia para pacientes que já haviam esgotado outras possibilidades terapêuticas.
“Os resultados são muito animadores. Os pacientes já haviam passado por diversas linhas de tratamento, como quimioterapia, radioterapia e transplante, e encontram nessa nova terapia uma nova esperança de cura e qualidade de vida. Estamos construindo a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer do mundo. Atualmente, 96% dos tratamentos oncológicos já são ofertados pelo SUS”, afirmou o ministro.
O estudo clínico recebeu investimento de R$ 100 milhões do Governo Federal e já beneficiou 25 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto é conduzido pelo Hemocentro de Ribeirão Preto em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan, com foco em dois dos tipos mais agressivos de câncer no sangue: a Leucemia Linfoide Aguda B e o Linfoma Não-Hodgkin B.
Atualmente, tratamentos semelhantes disponíveis no exterior podem custar cerca de US$ 500 mil por paciente. A expectativa é que, após a confirmação dos resultados e a obtenção do registro sanitário junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a terapia passe a ser ofertada em todo o território nacional, ampliando o acesso da população a uma tecnologia de ponta desenvolvida por instituições brasileiras.
Considerada menos agressiva do que tratamentos convencionais, como quimioterapia e radioterapia, a terapia CAR-T Cell utiliza células do próprio paciente geneticamente modificadas para identificar e combater células cancerígenas. O projeto prevê a aplicação do tratamento em 81 pacientes até o final do ano, sendo que 75 já estão cadastrados para participação.
Além dos avanços clínicos, a iniciativa fortalece a autonomia tecnológica do país. Os vetores utilizados na pesquisa são patenteados pelo Hemocentro de Ribeirão Preto e pela USP, e a futura produção nacional será realizada por meio do Núcleo de Terapia Avançada (Nutera). A medida permitirá que o Brasil domine todas as etapas do processo produtivo, consolidando sua capacidade de desenvolver e fabricar um dos tratamentos oncológicos mais avançados do mundo.
