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No Cariri Tem > Blog > Economia > Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023, diz FAO
Economia

Uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome em 2023, diz FAO

No Cariri Tem
Última atualização 24/07/2024 12:41
Por No Cariri Tem
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5 Min Leitura
Foto: Reprodução
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De acordo com o relatório divulgado nesta quarta-feira (24) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), uma em cada 11 pessoas pode ter passado fome no mundo em 2023. O estudo indica que a prevalência global de subnutrição permaneceu estável nos últimos três anos, após um aumento acentuado devido à pandemia de covid-19. O relatório aponta que o mundo ainda está distante do objetivo de erradicar a fome até 2030.

“Entre 713 e 757 milhões de pessoas podem ter enfrentado a fome em 2023 – uma em cada 11 pessoas no mundo, e uma em cada cinco em África”. Fatores como conflitos, mudanças climáticas, desacelerações econômicas e recessões têm impactado as populações mais vulneráveis.

O relatório estima que 28,9% da população mundial (ou 2,33 bilhões de pessoas) estava em insegurança alimentar moderada ou grave no ano passado.

“O aumento da fome é maior nos países pobres afetados por mais do que um grande impulsionador. Isso porque o sistema agroalimentar nestes países não é resiliente a essas forças externas.” O documento também observa que a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição continuam a aumentar, afetando desproporcionalmente as crianças, além de mulheres, jovens e povos indígenas.

Financiamento

A FAO aponta que a falta de uma solução comum para o financiamento da segurança alimentar e nutricional é um problema significativo. “No caso de financiamento para a segurança alimentar e nutricional, não é possível avaliar adequadamente os níveis existentes, muito menos monitorar progressos ou retrocessos (para cumprir as metas).”

A organização destaca a necessidade urgente de uma ação coordenada para o financiamento da segurança alimentar. A análise de 10 países de baixa e média renda, incluindo o Brasil, mostra que os gastos públicos com segurança alimentar e nutrição estavam aumentando antes da pandemia. A FAO também observa que alguns países de renda média parecem estar investindo mais para abordar as principais causas da insegurança alimentar e da desnutrição em comparação com países de baixa renda.

O relatório faz um apelo “forte e urgente” para ajuda global e ações nacionais para enfrentar esse problema, como parte da agenda global de desenvolvimento sustentável. “Há desigualdades no acesso ao financiamento para segurança alimentar e nutrição entre países e dentro dos países.”

O estudo revela que cerca de 63% dos países com alta ou crescente fome, insegurança alimentar e desnutrição enfrentam dificuldades para obter financiamento. “A maioria destes países (82%) são afetados por um ou mais dos principais impulsionadores da fome (…). E, por isso, é importante aumentar o financiamento para países com níveis mais elevados de fome.”

Parcerias

O relatório sugere que apenas fontes públicas de financiamento não serão suficientes para eliminar a fome. “Aumentar o financiamento privado, através de parcerias público-privadas, também será essencial para complementar os esforços.”

A FAO adverte que não cumprir a agenda de 2030 terá custos sociais, econômicos e ambientais significativos. “Não há tempo a perder, já que o custo da inação excede em muito o custo da ação.”

Os dados do relatório servirão de base para discussões na Cúpula do Futuro, em setembro deste ano, e na Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, no próximo ano.

Obesidade

A FAO também destaca preocupações com o aumento da obesidade entre adultos e da anemia em mulheres de 15 a 49 anos. A prevalência de obesidade entre adultos subiu de 12,1% (591 milhões de pessoas, em 2012) para 15,8% (881 milhões de pessoas, em 2022), com previsão de atingir mais de 1,2 bilhão até 2030. A anemia em mulheres dessa faixa etária aumentou de 28,5% em 2012 para 29,9% em 2019, com projeção de chegar a 32,3% até 2030.

No entanto, o relatório aponta uma redução no atraso no crescimento infantil, que pode ter diminuído em um terço nas últimas duas décadas, indicando uma mudança positiva global. A FAO considera essas mudanças como avanços para garantir o direito à alimentação adequada e um padrão de vida digno para todas as pessoas, especialmente para as futuras gerações.

 

*Com informações da Agência Brasil

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TAGs: FAO, FOME, POBREZA
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