O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que organizou sozinho sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos e que não recebeu ajuda de autoridades ou governos estrangeiros. A declaração foi feita em entrevista ao jornal americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), a primeira concedida pelo parlamentar desde que chegou a Miami, na Flórida.
Ao falar sobre os detalhes da viagem, Flávio afirmou que prefere manter em segredo como conseguiu deixar o país. “Não houve ajuda absolutamente de ninguém, de nenhum governo. Como cheguei aqui, levarei isso para o túmulo comigo”, declarou. Segundo ele, a decisão de partir foi tomada de maneira espontânea, em conversa com a esposa.
A versão apresentada pelo senador, no entanto, contrasta com informações atribuídas a autoridades americanas, segundo as quais uma pessoa ligada à Casa Branca teria providenciado a aeronave utilizada no deslocamento, enquanto a entrada da família nos Estados Unidos teria recebido autorização direta do presidente Donald Trump.
Flávio relatou que decidiu deixar o Brasil na manhã seguinte à derrota nas eleições presidenciais. Na ocasião, segundo seu depoimento, foi informado de que teria 24 horas para entregar os passaportes, por determinação das autoridades brasileiras. Ele também contou que teve uma conversa com o pai, Jair Bolsonaro, antes de partir.
O senador afirmou que temia enfrentar uma prisão caso permanecesse no país. Ele é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, embora não tenha sido formalmente acusado de crime. Flávio nega irregularidades e critica a atuação do Judiciário brasileiro.
O senador também agradeceu a Donald Trump pela autorização de sua permanência nos Estados Unidos. Mesmo à distância, Flávio pretende continuar participando da política brasileira, articulando-se com aliados e defendendo pautas de seu grupo político. Ele também não descartou voltar a disputar a Presidência da República. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.
